
Essencialmente o Zumvi enxerga seu acervo como um vetor para transformações sociais, uma vez que a partir dele realizamos atividades que provocam o debate sobre a importância da preservação/construção da memória negra, e a perspectiva na qual a história do povo preto vem sendo contada ao longo dos anos. É importante que nossa história seja contada e registrada por nós mesmos, pois sendo os contadores dessas histórias a perspectiva na qual elas são contadas é diferente, a problematização e a reflexão sobre o presente e o futuro tomam rumos diferentes. Sendo assim, também entendemos que fomentar que jovens negros tenham acesso a formações nesse campo da fotografia é fundamental para a continuidade e construção de um futuro melhor, através de um novo ponto de vista e narrativas.
Além disso, a fotografia, que apesar da era digital, ainda é um ofício caro e com espaço para poucos no campo profissional também deve se aproximar da juventude negra, para formação de novos profissionais, que trarão um novo olhar para cenário da fotografia soteropolitana. Falamos de um curso de Fotografia para Juventude Negra para que estes não apenas dominem as técnicas de fotografia, mas também tem uma formação baseada na ideia do curso Cidadania e Consciência Negra (CCN), desenvolvida no âmbito do Instituto Stevie Biko, um centro de formação de jovens negros em funcionamento em Salvador também a mais de 30 anos. São fotógrafos que terão em suas lentes um olhar diferenciado no momento de retratar os corpos negros da cidade mais negra fora de África.